O Projeto

O livro-reportagem “Leve Tiros no coração” seguiu quatro dos seis tipos de liberdade descritas por Lima (2009, p.82-86): liberdade de angulação; liberdade do eixo de abordagem; liberdade temporal e liberdade de fonte. Na angulação deve-se entender que o texto deve seguir um compromisso com o leitor, sem deixar sua própria cosmovisão para trás (p.83).

Com o eixo de abordagem o livro penetra “[…] na situação ou nas questões mais duradoras que compõe um terreno das linhas de forças que determinam os acontecimentos (p.85-86). A liberdade temporal traz o resgate do passado atrelado ao atual. Por fim, na liberdade de fontes o “livro-reportagem pode fugir do estreito círculo das fontes legitimadas e abrir o leque para um coral de vozes variadas” (p.84).

Ao todo foram necessárias mais de quarenta entrevistas, entre fontes primárias e secundárias que antes de serem procuradas, foram colocadas em diversas pautas, divididas por cada capítulo, afim de descobrir se determinada fonte respondia ao requisito para a composição da obra. As técnicas jornalísticas para entrevistar as fontes atendeu-se aos seguintes parâmetros descritos:

Elaborar um roteiro de entrevista e até pôr no papel as principais perguntas ajuda bastante. […] Perguntas não devem ser restritivas demais, que só admitam ‘sim‟ ou ‘não’ como resposta, nem tão amplas que se percam na verborragia e confundam o entrevistado. Saber a hora de mudar de assunto ou de introduzir uma pergunta mais contundente faz toda a diferença no resultado final. […] A boa entrevista é aquela que se transforma em um diálogo fluente, em que as perguntas pré-programadas vão levando a outras, que surgem na hora (BELO, 2006, p. 103-104).

Respeitando a ordem cronológica dos fatos, que foi desde a chegada do primeiro morador a uma homenagem para a mulher mais velha da cidade de Tiros, que idade hoje ultrapassa 102 anos, a redação do livro-reportagem seguiu os parâmetros de uma reportagem documental (quote-story), já que contou com brechas para determinados acontecimentos que foram lembrados pelas fontes entrevistadas, passando a impressão de que o texto foi escrito de uma só vez (BELO, 2006, p.123).

Desde o início, o projeto já contava com uma grande viabilidade econômica de mercado e de audiência, pela população valorizar o resgate da cultura e história, mesmo a cidade sendo pacata de meios oriundos de informação. “Leve Tiros no coração” trouxe um novo patamar e possibilitou que todos os interessados pudessem adquirir a obra que foi lançada nos dias 9 e 10 de fevereiro de 2018, no Parque de Exposições Geraldo Lúcio Junqueira e Praça Santo Antônio de Tiros, respectivamente.

Antes da concretização do mesmo, os requisitos para a tiragem do livro-reportagem passou por várias gráficas e editoras, sendo por fim, escolhida a Gráfica e Editora O Lutador, de Belo Horizonte-MG, pela proximidade local e melhor adequação do orçamento. Mesmo sendo uma produção independente e municipal, o livro recebeu apoio da Prefeitura Municipal de Tiros e patrocínio de empresas privadas, como: Sicoob Creditiros e Sindicato dos Produtores Rurais de Tiros.

Partindo do pressuposto de que Lima considera “livro é a publicação não-periódica com mais de 48 páginas” (2009, p. 26), o presente projeto sobre a história da cidade de Tiros foi realizado entre os meses de agosto a dezembro de 2017 e conta com dezenove capítulos, além de prefácio, introdução e iconografia. São 304 páginas no total, incluindo a capa. A fonte utilizada foi a Andalus, tamanho 12pt, recebendo variação de tamanho em relação aos títulos dos capítulos.

A capa foi construída a partir de meios que contrapõem a trajetória da cidade, dentre eles: a descoberta da mais bela pedra brilhante nas redondezas da Mata da Corda, que recebeu o nome de “Diamante do Abaeté”, cuja imagem está representada por duas mãos que seguram um diamante no alto da capa; a imagem do índio garimpeiro, Alferes Manoel Gomes Batista, no canto inferior esquerdo, que saiu de Lavras do Funil pela cobiça em douradas esperanças no Sertão do Abaeté; um índio ao centro trazendo a encenação da batalha sangrenta por minérios e terras que aconteceu no Córrego de Santo Antônio de Tiros e por fim, mais não menos importante, a Igreja Matriz da cidade, que representa a atualidade.

Na contracapa, uma vasta extensão de terra busca mostrar um abalo sísmico que engoliu a antiga Tiros, que antes se chamava Vila Velha, em 1901. O nome do livro, foi em homenagem a frase “Leve Tiros no coração”, dita pelo bispo da Diocese de Patos de Minas-MG, Dom Cláudio que repetida inúmeras vezes durante uma celebração de uma missa na cidade para os presentes, além da frase já ter sido tema de uma placa na saída da cidade, rodovia sentindo Arapuá-MG.

Abaixo a imagem da capa do livro-reportagem “Leve Tiros no coração”, produzida pelo publicitário Filipe Santana Leal:

Fonte: Filipe Santana Leal, 2017.

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